O HPV (papilomavírus humano) é a infecção sexualmente transmissível mais comum do mundo. Estima-se que 8 em cada 10 pessoas sexualmente ativas entrem em contato com o vírus em algum momento. Na maioria absoluta dos casos o próprio sistema imune elimina a infecção em 1 a 2 anos, sem deixar nada.
O problema não é o contato com o vírus. É a infecção persistente por um subtipo de alto risco (16 e 18 respondem por cerca de 70% dos cânceres de colo), que ao longo de anos pode transformar células normais em lesões pré-cancerosas.
Da infecção à lesão: uma linha do tempo longa
Infecção → alteração celular leve (NIC 1) → moderada (NIC 2) → grave (NIC 3) → câncer invasivo. Esse percurso costuma levar 10 a 20 anos — e em qualquer ponto antes do fim ele pode ser interrompido. É exatamente por isso que o rastreio funciona tão bem.
O que o preventivo detecta
O exame de Papanicolau (citologia) procura alterações nas células do colo. Resultados que aparecem com frequência:
- ASC-US — células atípicas de significado indeterminado. Na maioria, nada evolui
- LSIL / NIC 1 — lesão de baixo grau. Regride sozinha em cerca de 60% dos casos
- HSIL / NIC 2-3 — lesão de alto grau. Tem indicação de tratamento
- AGC — células glandulares atípicas. Exige investigação mais ampla
Há também o teste de DNA-HPV, mais sensível, que identifica o vírus de alto risco antes que a célula se altere e vem ganhando espaço como estratégia de rastreio.
Colposcopia e biópsia
Alterado o preventivo, o passo seguinte é a colposcopia: com um aparelho que amplia a imagem e soluções que realçam áreas anormais, examina-se o colo em detalhe. É um exame de consultório, rápido, semelhante em desconforto a um preventivo comum.
Se houver área suspeita, colhe-se uma biópsia — um fragmento minúsculo que define exatamente o grau da lesão. É a biópsia, não a citologia, que determina o tratamento.
Tratamento
- Lesões de baixo grau: em geral, acompanhamento. A maioria regride espontaneamente
- Lesões de alto grau: retirada da área alterada por CAF/LEEP (cirurgia de alta frequência) ou conização — procedimento ambulatorial, com anestesia local, alta no mesmo dia
- Verrugas genitais (causadas por subtipos de baixo risco, 6 e 11): tratamento tópico, cauterização ou laser
Depois do tratamento, o seguimento é obrigatório: exames em intervalos definidos por pelo menos dois anos, porque o vírus pode persistir mesmo com a lesão removida.
Prevenção que funciona
Vacina. Protege contra os subtipos mais perigosos. No SUS: meninas e meninos de 9 a 14 anos. Na rede privada, a vacina nonavalente é aprovada até os 45 anos e traz benefício mesmo para quem já teve contato com algum subtipo — porque protege contra os outros.
Rastreio. Preventivo a partir dos 25 anos em quem já iniciou vida sexual; dois exames anuais normais, depois a cada 3 anos, até os 64. Mulheres imunossuprimidas seguem esquema próprio.
Preservativo. Reduz — não elimina — a transmissão, porque o vírus também está em pele não coberta.
Vacinada e com preventivo em dia, o risco de câncer de colo do útero cai a números muito baixos. Poucas doenças graves oferecem uma prevenção tão eficaz.


