Menopausa é a última menstruação, confirmada retrospectivamente depois de 12 meses seguidos sem menstruar. Acontece em média aos 51 anos no Brasil. Não é doença: é uma etapa fisiológica.

Climatério é a transição em torno dessa data — pode começar aos 40 e se estender até os 60. É nele que os ovários reduzem a produção de estrogênio e progesterona de forma irregular, e é ele que produz os sintomas.

Entender essa diferença importa: muita mulher passa anos com sintomas na perimenopausa ainda menstruando, ouve que "não pode ser menopausa porque menstrua" e fica sem tratamento.

O que muda no corpo

O estrogênio não age apenas no aparelho reprodutor. Há receptores dele no cérebro, nos ossos, nos vasos, na pele, na mucosa da vagina e da uretra, no tecido adiposo. Por isso a queda hormonal se manifesta em tantos lugares ao mesmo tempo.

Vasomotores. Calores (fogachos) e suor noturno — o sintoma mais característico. Atingem cerca de 80% das mulheres e podem durar anos.

Sono. Despertares na madrugada, dificuldade de voltar a dormir, sono não reparador. Frequentemente é o suor noturno que quebra o sono — e a insônia, por sua vez, agrava humor e memória.

Humor e cognição. Irritabilidade, ansiedade, choro fácil, "névoa mental", dificuldade de encontrar palavras. Não é impressão, e não é fraqueza.

Ciclo. Antes de parar, a menstruação fica imprevisível: mais curta, mais longa, mais intensa, com meses de intervalo.

Geniturinário. Ressecamento, ardência, dor na relação, urgência urinária e infecções repetidas. Ao contrário dos calores, esse grupo de sintomas não melhora com o tempo — piora, se não for tratado.

Composição corporal. Perda de massa magra, ganho de gordura visceral, mudança do perfil de colesterol e da sensibilidade à insulina, mesmo sem mudança de dieta.

Osso. A perda de massa óssea acelera nos primeiros anos após a menopausa — é a janela em que a prevenção rende mais.

Como se avalia

Na maioria das vezes o diagnóstico é clínico: idade, padrão do ciclo e sintomas bastam. Dosagens hormonais (FSH, estradiol) oscilam muito na transição e podem confundir; são úteis sobretudo em suspeita de menopausa precoce (antes dos 40) ou quando há dúvida diagnóstica.

A avaliação completa da mulher no climatério inclui pressão, peso e composição corporal, perfil lipídico, glicemia e HbA1c, TSH, vitamina D, função hepática e renal, mamografia, preventivo, ultrassom quando indicado e densitometria óssea conforme idade e fatores de risco.

Tratamento

Terapia hormonal. Para a mulher sintomática que inicia antes dos 60 anos ou nos primeiros 10 anos de menopausa, é o tratamento mais eficaz para calores, sono e sintomas geniturinários, com benefício adicional sobre a massa óssea. Tem indicações e contraindicações claras — merece uma conversa dedicada.

Tratamento local. Estrogênio vaginal em dose baixa resolve secura e dor na relação com absorção sistêmica mínima, e pode ser usado até por muitas mulheres que não podem fazer terapia sistêmica.

Não hormonal. Existem medicações eficazes para os calores em quem não pode ou não quer hormônio, além de terapia cognitivo-comportamental para insônia e fogachos.

Base para todas. Treino de força (o estímulo que preserva osso e músculo), atividade aeróbica, proteína suficiente na dieta, vitamina D e cálcio adequados, higiene do sono, redução de álcool e cessação do tabagismo.

O objetivo do cuidado no climatério não é "atravessar" essa fase. É chegar aos 60, 70 e 80 anos com osso forte, músculo preservado, cabeça clara e vida sexual possível.