A vagina tem secreção própria: um corrimento claro ou esbranquiçado, sem cheiro forte, que varia ao longo do ciclo — mais fluido e transparente perto da ovulação, mais espesso depois. Isso é normal e sinal de mucosa saudável.
O que sustenta esse equilíbrio são os lactobacilos, que mantêm o pH ácido (entre 3,8 e 4,5) e afastam microrganismos indesejados. Quase toda infecção vaginal começa com a quebra desse equilíbrio.
Diferenciando os três quadros mais comuns
Candidíase (fungo). Corrimento branco, espesso, tipo leite coalhado, sem odor. O que domina é a coceira intensa, com ardência e vermelhidão. Piora antes da menstruação. Fatores: antibióticos, diabetes descompensado, imunidade baixa, roupa apertada e úmida.
Vaginose bacteriana. Corrimento acinzentado, fluido, com odor forte de peixe, que piora após a relação e no período menstrual. Coceira costuma ser mínima. Não é uma IST clássica: é um desequilíbrio da flora, com queda dos lactobacilos.
Tricomoníase. Corrimento amarelo-esverdeado, bolhoso, com odor desagradável, ardência ao urinar e dor na relação. Essa sim é uma IST — e exige tratar o parceiro.
Há ainda a vaginite atrófica, típica da pós-menopausa: pouco corrimento, muita secura, ardência e dor na relação, por queda do estrogênio.
A coceira sozinha não fecha diagnóstico. Tratar tudo como candidíase é a razão número um de "corrimento que não passa".
Quando procurar avaliação
- Mudança de cor, cheiro ou consistência que persiste
- Coceira, ardência ou dor ao urinar
- Corrimento com sangue fora do período menstrual
- Dor pélvica ou febre associadas — pode indicar infecção ascendente
- Recorrência: mais de 4 episódios em um ano
- Qualquer corrimento novo na gestação
Como se diagnostica
Exame ginecológico com visualização direta, avaliação do pH vaginal e, quando necessário, exame a fresco, cultura ou biologia molecular. Em quadros de repetição vale investigar diabetes, imunidade e o uso de produtos que agridem a flora.
Tratamento
Específico para cada agente: antifúngico tópico ou oral na candidíase; metronidazol ou clindamicina na vaginose; metronidazol oral, para o casal, na tricomoníase. Nos quadros recorrentes usa-se esquema prolongado e de manutenção.
O que ajuda a não voltar
- Lavar apenas a região externa, com água e sabonete suave — nunca duchas internas, que destroem a flora
- Roupa íntima de algodão; evitar dormir com peça apertada
- Trocar roupa de banho e de academia molhada assim que possível
- Controlar glicemia
- Repor lactobacilos quando indicado
- Não repetir por conta própria o creme que "funcionou da última vez"


