Com a queda do estrogênio, a mucosa da vagina, da vulva e da uretra fica mais fina, menos elástica, menos lubrificada e com pH mais alto. O conjunto dessas mudanças recebeu o nome de síndrome geniturinária da menopausa (SGM) — antes chamada apenas de "atrofia vaginal", termo que descrevia mal o problema e desagradava a quem o vivia.
Ela atinge cerca de metade das mulheres na pós-menopausa. Só uma parcela pequena relata espontaneamente, e boa parte acredita que é "coisa da idade, não tem o que fazer". Tem.
Sintomas
Genitais. Secura, ardência, coceira, sensação de irritação constante, pequenos sangramentos ao contato.
Sexuais. Dor na penetração (dispareunia), perda de lubrificação, redução da libido, medo antecipatório da relação — que por si só realimenta a dor.
Urinários. Urgência para urinar, vontade frequente, ardência, e infecções urinárias de repetição — porque a queda dos lactobacilos e o pH alterado facilitam a colonização bacteriana.
Diferentemente dos calores, que tendem a diminuir com os anos, a síndrome geniturinária é progressiva. Quanto mais cedo entra o tratamento, mais fácil o resultado.
Diagnóstico
É clínico. O exame ginecológico mostra mucosa pálida, fina, com perda de rugosidade, às vezes com pequenos pontos de sangramento. Mede-se o pH vaginal, que sobe acima de 5. Vale afastar infecção, dermatoses vulvares (como o líquen escleroso) e causas não hormonais de dor.
Tratamento
Estrogênio vaginal em dose baixa. É o tratamento de referência: creme, óvulo ou comprimido vaginal, algumas vezes por semana. Restaura espessura, elasticidade, lubrificação e pH. A absorção sistêmica é mínima — motivo pelo qual pode ser considerado mesmo em muitas mulheres que não fazem terapia hormonal sistêmica, incluindo, com aval do oncologista, parte das sobreviventes de câncer de mama.
Outras opções. Prasterona (DHEA) vaginal; ospemifeno oral; ácido hialurônico e hidratantes vaginais de uso regular (diferentes de lubrificantes, que servem só para o momento da relação); lubrificantes à base de água ou silicone.
Laser e radiofrequência vaginal. Podem ajudar em casos selecionados, mas a evidência ainda é limitada e não substituem o tratamento hormonal local. Não devem ser oferecidos como primeira linha.
Fisioterapia pélvica. Fundamental quando há hipertonia da musculatura, dor crônica ou medo instalado. Trabalha o assoalho pélvico e a dessensibilização progressiva.
Manter atividade sexual — com ou sem parceiro — preserva vascularização e elasticidade do tecido. Faz parte do tratamento.
Vale insistir
Dor na relação sexual não é normal em nenhuma idade. Não é preço a pagar pela menopausa, não é psicológico por definição e não se resolve "relaxando". Existe tratamento eficaz, barato e seguro — o obstáculo, quase sempre, é apenas contar.


