Escolher contracepção é equilibrar quatro coisas: eficácia, efeitos colaterais, rotina e planos de gestação. Um método excelente para uma mulher de 22 anos pode ser inadequado para ela mesma aos 38.
Eficácia: o que os números realmente dizem
Existe a eficácia em uso perfeito e a em uso típico — o que acontece na vida real, com esquecimento, atraso e imprevisto.
| Método | Gestações por 100 mulheres/ano (uso típico) |
|---|---|
| Implante subdérmico | 0,1 |
| DIU hormonal | 0,2 |
| DIU de cobre | 0,8 |
| Injetável trimestral | 4 |
| Pílula combinada | 7 |
| Preservativo masculino | 13 |
| Tabelinha | 15-25 |
A diferença entre pílula e DIU não é o folheto: é o esquecimento. Métodos de longa duração (LARC) removem o erro humano da equação — e por isso são hoje a primeira recomendação das sociedades médicas para a maioria das mulheres.
Os métodos, um a um
DIU hormonal (levonorgestrel). Dura de 5 a 8 anos conforme o modelo. Reduz muito o fluxo menstrual — cerca de 20% das usuárias param de menstruar, o que é seguro. É tratamento, e não apenas contracepção, para sangramento intenso, cólica forte, adenomiose, endometriose e proteção do endométrio na terapia hormonal.
DIU de cobre. Dura até 10 anos, sem hormônio nenhum. Ótima opção para quem não pode ou não quer hormônio. Pode aumentar o fluxo e a cólica nos primeiros meses.
Implante subdérmico. Bastão colocado sob a pele do braço, dura 3 anos. O método mais eficaz disponível. Sangramento irregular é o efeito colateral mais comum.
Pílula combinada. Eficaz, regulariza o ciclo, melhora acne e cólica. Contraindicada em enxaqueca com aura, hipertensão não controlada, tabagismo após os 35, trombose prévia.
Minipílula / desogestrel. Só progestagênio — indicada na amamentação e para quem não pode estrogênio.
Injetável. Mensal ou trimestral. Prático, mas o trimestral pode reduzir densidade óssea com uso prolongado e demora a retornar à fertilidade.
Preservativo. O único que protege contra ISTs. Idealmente associado a outro método — a chamada dupla proteção.
Laqueadura e vasectomia. Definitivos. No Brasil, permitidos a partir dos 21 anos ou com dois filhos vivos, sem exigência de autorização do cônjuge desde 2022.
Colocação do DIU
Procedimento de consultório, que leva poucos minutos. Provoca cólica de intensidade variável no momento da inserção — costuma ser mais confortável em quem já teve parto vaginal, e existem estratégias de analgesia e preparo do colo que reduzem bastante o desconforto. Sedação é possível quando indicada ou preferida.
Depois: cólica e sangramento de escape nos primeiros dias; irregularidade menstrual por até 3 a 6 meses no DIU hormonal. Retorno para checagem por ultrassom conforme orientação.
Não é verdade que DIU só serve para quem já teve filhos, que causa infertilidade ou que "sobe" na barriga. Nulíparas podem usar, a fertilidade retorna assim que ele é retirado, e a expulsão — quando ocorre — acontece pelo colo, não para dentro do abdome.
Contracepção depois dos 40
Fertilidade cai, mas não some: gestações não planejadas nessa faixa etária são frequentes. É preciso manter contracepção até 12 meses após a última menstruação (ou 24 meses, se ela ocorreu antes dos 50). O DIU hormonal é particularmente útil nessa fase, por controlar sangramento irregular da perimenopausa e servir como componente progestagênico da terapia hormonal.


