Sangramento uterino anormal é qualquer sangramento que fuja do padrão esperado: em volume, em duração, em frequência ou em momento. Nem sempre significa doença grave, mas sempre merece uma explicação.
O que já é "fora do padrão"
- Fluxo que dura mais de 8 dias
- Trocar absorvente ou coletor de hora em hora, ou usar duplo à noite
- Coágulos maiores que uma moeda
- Ciclos com menos de 24 ou mais de 38 dias
- Sangramento entre as menstruações
- Sangramento após a relação sexual
- Qualquer sangramento depois da menopausa — este exige investigação sempre
As causas, organizadas
A classificação internacional (PALM-COEIN) separa causas estruturais das não estruturais — o que orienta diretamente a conduta.
Estruturais (vistas na imagem): pólipo endometrial, adenomiose, leiomioma (mioma), hiperplasia ou câncer de endométrio.
Não estruturais: distúrbios da coagulação (a doença de von Willebrand é subdiagnosticada em adolescentes com fluxo intenso desde a menarca), disfunção ovulatória (SOP, tireoide, perimenopausa), causas endometriais, iatrogênicas (anticoagulantes, DIU, hormônios) e as ainda não classificadas.
Como se investiga
A consulta detalha o padrão: quantos dias, quantos absorventes, se há coágulos, se há dor, se há uso de medicação, se há sangramento em outros locais (gengiva, nariz, hematomas fáceis).
Exames habituais: hemograma e ferritina (para medir o custo real do sangramento), TSH, beta-hCG quando cabível, e ultrassom transvaginal com medida do eco endometrial.
Quando a imagem sugere alteração dentro da cavidade — ou quando há sangramento pós-menopausa —, a histeroscopia com biópsia é o exame que fecha o diagnóstico, olhando por dentro e colhendo material com precisão.
Anemia por menstruação não é "normal para mulher". É perda de ferro contínua com impacto direto em disposição, concentração, cabelo e imunidade — e tem tratamento.
Tratamento
Trata-se a causa e a consequência.
- Reposição de ferro, sempre que houver deficiência — via oral ou endovenosa nos casos graves
- Medicação: antifibrinolítico no episódio agudo, anti-inflamatório, pílula, progestagênio contínuo
- DIU hormonal: reduz drasticamente o fluxo e é hoje uma das melhores opções de longo prazo
- Histeroscopia cirúrgica: retira pólipos e miomas submucosos, sem corte
- Ablação endometrial ou histerectomia: reservadas a casos selecionados, com prole definida
Sangramento depois da menopausa: regra sem exceção
Passados 12 meses sem menstruar, qualquer sangramento — mesmo uma borra marrom única — precisa ser investigado. Na maioria das vezes a causa é benigna (atrofia do endométrio, pólipo). Mas é também o principal sinal de alerta do câncer de endométrio, cuja chance de cura é altíssima quando descoberto cedo.


