O osso é tecido vivo, em renovação permanente: células destroem osso velho, outras constroem osso novo. O estrogênio segura esse equilíbrio. Quando ele cai, a reabsorção passa a superar a formação — e a massa óssea despenca.
A mulher perde até 20% da massa óssea nos 5 a 7 anos seguintes à menopausa. É a janela mais importante para agir, e também a mais silenciosa.
Por que importa tanto
Uma em cada três mulheres acima de 50 anos sofrerá uma fratura por fragilidade. A fratura de quadril é a mais grave: cerca de 20% das pessoas morrem no primeiro ano após ela, e boa parte das que sobrevivem não recupera a independência anterior.
As fraturas vertebrais são ainda mais frequentes e passam despercebidas — aparecem como perda de altura, dor lombar crônica e a curvatura da coluna que se atribui erroneamente "à idade".
Fatores de risco
Idade, menopausa precoce, histórico de fratura por fragilidade, fratura de quadril em pai ou mãe, baixo peso, tabagismo, álcool em excesso, sedentarismo, uso prolongado de corticoide, artrite reumatoide, doenças que reduzem absorção intestinal, deficiência de vitamina D e cálcio.
Diagnóstico
A densitometria óssea (DXA) mede a densidade mineral em coluna e fêmur. Indicada para toda mulher a partir dos 65 anos e antes disso quando há fatores de risco — inclusive logo após a menopausa em situações específicas.
O resultado vem em T-score: até −1,0 é normal; entre −1,0 e −2,5 é osteopenia; igual ou abaixo de −2,5 é osteoporose. Uma fratura por fragilidade fecha o diagnóstico independentemente do valor.
Complementam a avaliação: cálcio, fósforo, função renal, vitamina D (25-OH), PTH, TSH e a calculadora FRAX, que estima o risco de fratura em 10 anos e ajuda a decidir quando tratar a osteopenia.
Prevenção — o que de fato funciona
Treino de força. É o estímulo mais eficaz. O osso responde à carga: musculação, exercícios com peso e impacto controlado. Caminhada sozinha não é suficiente.
Equilíbrio. Prevenir queda é tão importante quanto fortalecer o osso. Treino de equilíbrio, revisão de medicamentos que causam tontura, correção de visão, retirada de tapetes soltos e barras de apoio no banheiro.
Cálcio. 1.000 a 1.200 mg/dia, preferencialmente da alimentação. Suplementar apenas o que faltar.
Vitamina D. Corrigir a deficiência e manter níveis adequados; sem ela, o cálcio ingerido não é absorvido.
Proteína. Osso não se sustenta sem músculo. A ingestão proteica costuma ser insuficiente justamente na faixa etária em que mais importa.
Parar de fumar e moderar álcool.
Tratamento medicamentoso
Indicado na osteoporose, na fratura por fragilidade e na osteopenia de alto risco pelo FRAX. As classes principais são bisfosfonatos, denosumabe e, em casos graves, os agentes anabólicos (teriparatida, romosozumabe).
A terapia hormonal da menopausa também previne perda óssea e fraturas, e é uma opção especialmente coerente para a mulher que já tem indicação por sintomas climatéricos — dois objetivos, um tratamento.


