O DIU é um dispositivo em T colocado dentro do útero, com duas versões: de cobre, sem hormônio, que dura até 10 anos; e hormonal, com levonorgestrel, que dura de 5 a 8 anos conforme o modelo.
Ambos estão entre os métodos mais eficazes existentes — menos de 1 gestação por 100 mulheres/ano, contra 7 da pílula em uso típico. A diferença não está no folheto: está no esquecimento.
"DIU só serve para quem já teve filho"
Mito. As sociedades médicas recomendam DIU inclusive para adolescentes e mulheres que nunca engravidaram. A inserção pode ser um pouco mais desconfortável em quem nunca teve parto vaginal, mas é perfeitamente possível.
"DIU causa infertilidade"
Mito. A fertilidade retorna praticamente de imediato após a retirada. A confusão vem de um dispositivo dos anos 1970 (Dalkon Shield), retirado do mercado há meio século, que se associava a infecções graves. Os DIUs atuais não têm relação com isso.
"O DIU sobe e some na barriga"
Mito, com uma ressalva. O DIU não migra pelo corpo. Ele pode ser expulso — pelo colo, para fora — em cerca de 2% a 10% dos casos, mais frequentemente nos primeiros meses. Perfuração uterina é rara (cerca de 1 em 1.000) e, quando acontece, costuma ser no momento da inserção.
"Colocar dói muito"
Verdade parcial — e o ponto mais importante da conversa. A inserção provoca cólica forte de curta duração na maioria das mulheres. A intensidade varia muito: quem já teve parto vaginal tende a sentir menos.
O que mudou é que a dor deixou de ser tratada como algo a suportar. Existem estratégias: anti-inflamatório antes, anestésico local no colo, preparo com misoprostol em casos selecionados, técnica cuidadosa, e sedação quando indicada ou preferida.
Isso se combina antes do procedimento, não durante.
"DIU hormonal engorda"
Mito. Os estudos não mostram ganho de peso significativo atribuível ao DIU hormonal. A liberação é predominantemente local, com níveis sistêmicos muito baixos — bem menores que os de pílula ou implante.
"Parar de menstruar faz mal"
Mito. O DIU hormonal deixa o endométrio muito fino; sem endométrio espesso, não há o que descamar. Cerca de 20% das usuárias param de menstruar, e isso é seguro. Não há sangue acumulado em lugar nenhum.
"DIU protege contra IST"
Mito. Não protege. Só o preservativo protege — daí a recomendação de dupla proteção quando há risco.
"DIU serve só para evitar gravidez"
Mito, e um dos mais custosos. O DIU hormonal é tratamento para sangramento uterino intenso, cólica forte, adenomiose e endometriose, e é usado como componente progestagênico da terapia hormonal da menopausa, protegendo o endométrio.
O que esperar nos primeiros meses
Hormonal: escapes e sangramento irregular por 3 a 6 meses, com redução progressiva do fluxo depois. Cólica nos primeiros dias.
Cobre: fluxo e cólica podem aumentar nos primeiros ciclos e costumam estabilizar. Não altera hormônios.
Procurar avaliação se houver febre, dor forte persistente, corrimento com odor, sangramento muito intenso ou se você não encontrar mais os fios.
Quando não é indicado
Gravidez, infecção pélvica ativa, sangramento vaginal sem diagnóstico, câncer de colo ou de endométrio, malformação uterina que distorça muito a cavidade, e — no caso do hormonal — câncer de mama atual ou prévio.


