A consulta ginecológica anual é, para muita mulher, o único contato regular com um médico. Isso a torna mais importante do que parece: é ali que se mede pressão, se olha metabolismo, se atualiza vacina e se procura o que ainda não deu sintoma.

Quando começar

A primeira consulta pode acontecer na adolescência — antes mesmo do início da vida sexual — para orientação sobre ciclo, cólica, vacinação contra HPV e contracepção. Não exige exame com espéculo.

O preventivo (Papanicolau) começa aos 25 anos em quem já iniciou vida sexual.

O intervalo por faixa etária

Dos 25 aos 39. Uma consulta por ano. Preventivo: dois anuais e, se ambos normais, a cada 3 anos. Pressão, glicemia e colesterol pelo menos a cada 3 anos, ou anualmente se houver fator de risco.

Dos 40 aos 49. Consulta anual. Mamografia anual a partir dos 40 — recomendação das sociedades brasileiras. Perfil metabólico anual. É também a fase de ficar atenta aos primeiros sinais de perimenopausa.

Dos 50 aos 64. Consulta anual. Mamografia, preventivo até os 64, rastreio de câncer colorretal a partir dos 45, densitometria óssea conforme risco, avaliação cardiovascular formal e manejo dos sintomas do climatério.

A partir dos 65. Consulta anual. Densitometria. Mamografia enquanto houver benefício. O preventivo pode ser encerrado se houver histórico adequado de exames normais. Foco em força muscular, prevenção de quedas, cognição e vacinas.

Quando ir com mais frequência

Uso de contraceptivo que exige ajuste, SOP, endometriose, mioma em acompanhamento, terapia hormonal (reavaliação em 3 meses no início), tentativa de gestação, gestação (calendário próprio), histórico familiar forte de câncer de mama ou ovário, imunossupressão, tratamento recente de lesão do colo do útero.

O que não espera a consulta anual

  • Sangramento fora do período menstrual, muito intenso, ou qualquer sangramento após a menopausa
  • Nódulo na mama, retração da pele, saída de secreção pelo mamilo
  • Dor pélvica que atrapalha a rotina
  • Corrimento com odor, cor alterada ou coceira persistente
  • Dor durante a relação sexual
  • Atraso menstrual com possibilidade de gestação
  • Ardência ou urgência urinária repetidas

Duas coisas que valem lembrar

Não menstruar mais não encerra o acompanhamento. Depois da menopausa começam as questões que mais impactam os 30 anos seguintes: osso, coração, metabolismo, mucosa e cognição.

Ir só quando dói é o modelo mais caro. Quase tudo que a consulta anual procura — alteração do colo, nódulo inicial, hipertensão, perda óssea, alteração metabólica — é silencioso por definição. É exatamente por isso que se procura.

Se faz mais de dois anos que você não vai, comece pelo básico: uma consulta, uma conversa e a atualização do que estiver atrasado. Não precisa chegar com tudo em dia — precisa chegar.