Na videolaparoscopia, uma câmera de alta definição é introduzida por uma incisão minúscula no umbigo. O abdome é distendido com gás carbônico para criar espaço, e os instrumentos entram por duas ou três punções adicionais. O cirurgião opera olhando um monitor, com imagem ampliada — o que permite enxergar estruturas que a cirurgia aberta simplesmente não mostra.
Vantagens sobre a cirurgia aberta
- Menos dor no pós-operatório e menor necessidade de analgésico
- Cicatrizes pequenas, com melhor resultado estético
- Menor risco de infecção de ferida e de hérnia incisional
- Menos aderências pélvicas — relevante para quem ainda quer engravidar
- Retorno mais rápido às atividades: dias, em vez de semanas
- Menor tempo de internação
Principais indicações
- Endometriose — ressecção de focos, endometriomas e doença profunda. A magnificação da imagem é decisiva aqui
- Cistos e tumores de ovário — com preservação máxima de tecido ovariano
- Miomas intramurais e subserosos (miomectomia)
- Gravidez ectópica
- Aderências pélvicas e dor pélvica crônica
- Investigação e tratamento de infertilidade, incluindo avaliação tubária
- Histerectomia por via laparoscópica, quando indicada
- Laqueadura tubária
Como é o caminho
Pré-operatório. Consulta com definição da indicação, exames laboratoriais e de imagem, avaliação cardiológica quando necessário e risco anestésico. Suspensão de anticoagulantes conforme orientação, jejum de 8 horas.
Cirurgia. Anestesia geral. A duração depende do procedimento — de 40 minutos numa laqueadura a várias horas numa endometriose profunda.
Internação. Muitos procedimentos permitem alta no mesmo dia ou em 24 horas.
Recuperação. Dor leve a moderada nos primeiros dias, com um desconforto característico no ombro causado pelo gás residual, que passa em 24 a 48 horas. Caminhar cedo acelera a recuperação. Retorno ao trabalho geralmente entre 7 e 14 dias; atividade física e relação sexual liberados conforme o caso, em torno de 30 dias.
Riscos
Como toda cirurgia, há riscos: sangramento, infecção, lesão de órgãos vizinhos (bexiga, intestino, ureter), trombose e complicações anestésicas. São incomuns, e a taxa depende diretamente da complexidade do caso e da experiência da equipe. Em situações específicas pode ser necessário converter para cirurgia aberta — o que não é falha, e sim uma decisão de segurança tomada no momento.
A pergunta certa nunca é "aberta ou por vídeo?". É: qual via oferece o melhor resultado para o seu caso, com o menor custo biológico?


