Perder de 50 a 100 fios por dia é normal — o cabelo tem ciclo, e sempre há uma parcela em queda. O que não é normal é a densidade diminuir: o rabo de cavalo mais fino, o couro cabeludo aparecendo na risca, o volume que não volta.

Na mulher, as causas mais comuns se agrupam em três blocos, e o tratamento certo depende de saber em qual você está.

1. Eflúvio telógeno: a queda difusa e súbita

Um estresse leva muitos fios de uma vez para a fase de queda. A perda começa 2 a 3 meses depois do evento — por isso quase nunca se liga uma coisa à outra.

Gatilhos típicos: pós-parto, cirurgia, infecção com febre, covid, dieta restritiva, perda rápida de peso, luto, estresse intenso, suspensão de anticoncepcional, deficiência de ferro, alteração de tireoide.

É a queda que assusta mais e a que tem melhor prognóstico: corrigido o gatilho, o cabelo volta em 6 a 12 meses.

2. Alopecia androgenética: o afinamento progressivo

Aqui não é queda súbita — é miniaturização. O fio nasce cada vez mais fino e curto, até não nascer mais. Predomina no topo da cabeça e alarga a risca central, poupando a linha frontal.

Tem componente genético e sofre influência de androgênios. Aparece com frequência em quem tem SOP e se acentua após a menopausa, quando o estrogênio cai e o efeito androgênico relativo aumenta.

Progressiva: quanto mais cedo tratar, mais cabelo se preserva.

3. Outras causas que precisam ser afastadas

Doenças da tireoide, anemia ferropriva, deficiência de vitamina D e zinco, doenças autoimunes (alopecia areata, lúpus), alopecia cicatricial (líquen plano pilar, alopecia frontal fibrosante — que exige diagnóstico rápido, porque destrói o folículo de forma definitiva), medicamentos e tração crônica por penteados apertados.

Os exames que valem a pena

Hemograma, ferritina (o exame mais importante e o mais esquecido — ferritina abaixo de 30-40 ng/mL já compromete o cabelo, mesmo sem anemia), TSH e T4 livre, vitamina D, zinco, e — se houver sinais de hiperandrogenismo — testosterona total e livre, SDHEA, 17-OH-progesterona e prolactina.

Ferritina baixa com hemoglobina normal é um achado comum e muito tratável.

Tratamento

Corrigir a causa. Repor ferro, ajustar tireoide, tratar SOP, revisar dieta e ingestão proteica. Sem isso, nenhum tópico funciona bem.

Minoxidil tópico. Primeira linha na alopecia androgenética feminina, com evidência sólida. Exige uso contínuo e paciência: resultado só se avalia com 4 a 6 meses.

Antiandrogênios. Espironolactona e outras opções, em casos selecionados, sempre com contracepção associada.

Terapia hormonal da menopausa. Quando já indicada por sintomas, costuma melhorar também a qualidade do fio.

Procedimentos dermatológicos. Microagulhamento, laser de baixa potência, plasma rico em plaquetas — coadjuvantes, com evidência variável.

O que não resolve sozinho: xampu, ampola e suplemento de "vitaminas para cabelo" em quem não tem deficiência. Se falta ferro, ferro resolve. Se não falta, não adianta.

Sinais para não adiar a avaliação: falha localizada e arredondada, vermelhidão ou descamação no couro cabeludo, dor, ou perda da linha frontal com testa "subindo". Esses quadros pedem diagnóstico rápido.