Descobrir um mioma num ultrassom de rotina assusta. Vale começar pelo que ele é: um nódulo do próprio músculo do útero, benigno, presente em até 70% das mulheres ao longo da vida. Não é câncer e, salvo raríssimas exceções, não vira.

O que realmente define a conduta

1. Onde ele está. Um mioma submucoso de 2 cm, dentro da cavidade, pode causar sangramento intenso e dificuldade para engravidar. Um subseroso de 7 cm, crescendo para fora, pode não dar sintoma nenhum. Localização pesa mais que tamanho.

2. O que ele provoca. Sangramento com anemia, cólica que não cede, pressão na bexiga ou no intestino, dor na relação, barriga aumentada.

3. Seus planos. Desejo de engravidar, idade, proximidade da menopausa — depois dela, sem estímulo hormonal, o mioma tende a encolher sozinho.

Quando não operar

  • Mioma pequeno, assintomático, achado incidental
  • Sintomas leves que respondem bem a medicação
  • Perimenopausa, com nódulo estável e sintoma controlável
  • Sempre que uma opção menos invasiva resolver o problema

Nesses casos a conduta é acompanhamento com ultrassom periódico.

Quando a cirurgia entra

  • Sangramento intenso com anemia que não responde ao tratamento clínico
  • Dor ou compressão significativa de bexiga e intestino
  • Crescimento rápido, especialmente após a menopausa — nessa fase o nódulo deveria estar diminuindo
  • Infertilidade ou abortamento de repetição com mioma que deforma a cavidade
  • Falha do tratamento medicamentoso

As opções, da menos à mais invasiva

Medicação. Antifibrinolítico e anti-inflamatório no episódio agudo; pílula ou progestagênio contínuo; DIU hormonal, que reduz muito o fluxo em miomas que não deformam a cavidade. Corrigir a anemia com ferro é parte do tratamento.

Histeroscopia cirúrgica. Para o mioma submucoso. Entra-se pelo colo do útero, sem nenhum corte. Alta no mesmo dia ou no dia seguinte, retorno rápido à rotina, útero preservado.

Videolaparoscopia (miomectomia). Para intramurais e subserosos. Três pequenas incisões, menos dor e menos aderências que a cirurgia aberta, com preservação do útero.

Embolização das artérias uterinas. Procedimento por cateter que interrompe o suprimento sanguíneo do nódulo. Opção para casos selecionados; menos indicada para quem ainda pretende engravidar.

Histerectomia. Retirada do útero. Resolve definitivamente, mas é decisão de exceção — reservada a quadros graves, refratários, com prole definida. Não deve ser a primeira proposta para um mioma comum.

Perguntas que valem fazer na consulta

  • Qual é o tipo do meu mioma: submucoso, intramural ou subseroso?
  • Ele está deformando a cavidade uterina?
  • Meus sintomas justificam intervenção, ou dá para acompanhar?
  • Existe opção sem corte para o meu caso?
  • Se eu não fizer nada, o que se espera nos próximos 12 meses?
Se a única alternativa oferecida for retirar o útero, e você tem um mioma sintomático mas sem gravidade, vale ouvir uma segunda opinião. A ginecologia moderna resolve a maior parte desses casos preservando o órgão.